
Zacarias 8:17: "Ninguém imagine mal no seu coração contra o seu próximo, nem ame o juramento falso; porque todas estas são coisas que eu odeio, diz o Senhor."
Ontem, o mundo secular celebrou o dia da mentira. É uma ironia amarga que o calendário reserve uma data para festejar o falso, quando, para o cristão, a Verdade é a própria pessoa de quem servimos. Mas essa virada de mês me fez refletir não sobre as inverdades inofensivas que o mundo conta em tom de brincadeira, mas sobre uma tragédia muito mais silenciosa e profunda: a fragilidade da nossa palavra diante das coisas sagradas.
Quando olho para a minha esposa, Gilvânia, e vejo o Pedro e a pequena Catarina crescendo a cada dia sob o nosso teto, sinto o peso aterrador e, ao mesmo tempo, glorioso que o Senhor colocou sobre os meus ombros como cabeça do lar. A nossa herança reformada, tão preciosamente sintetizada no Catecismo Maior de Westminster, nos lembra de uma verdade inegociável em sua pergunta 118. Ali, aprendemos que o mandamento de guardar o Dia do Senhor é especialmente dirigido aos chefes de família. Não somos chamados apenas a comparecer ao culto de forma passiva, mas a pastorear a nossa casa ativamente, garantindo que aqueles que estão sob o nosso cuidado não sejam embaraçados em sua santificação, mas conduzidos ao descanso em Cristo.
É uma vocação santa. Requer renúncia, intencionalidade e, acima de tudo, o auxílio da graça.
Intencionalidade é a palavra chave. Algumas pessoas juram intencionalmente a confissão de maneira mentirosa e faltam aos trabalhos do dia do Senhor intencionalmente. Inclusive avisando dias antes sua intenção de faltar porque quer. A todos estes que fazem questão de faltar e se voltam contra a verdade, abandonem seus cargos e assumam publicamente que são mentirosos desde o início.
Contudo, falo isso com dor, meu coração se entristece ao pensar na facilidade com que essa doutrina basilar pode ser negligenciada, muitas vezes por aqueles que deveriam ser os seus maiores guardiões. Quando um homem é chamado e ordenado ao sagrado ofício na Igreja de Cristo, ele levanta a mão e jura, perante o Deus que sonda os corações e perante o rebanho, que recebe e adota os nossos Símbolos de Fé. Esse voto não é um mero rito de passagem; é um pacto de fidelidade. Hoje porém os homens criam várias situações que dêem a eles motivos para clamar por sua justiça própria para quebrarem a lei de Deus com suas consciências em paz.
O que acontece, então, quando um líder vacila nesse compromisso? Quando, movido talvez por uma falsa sensação de entendimento ou pelo desejo de não parecer severo, alguém que fez tais votos passa a ensinar o oposto daquilo que jurou defender?
Essa é a verdadeira arrogância, a verdadeira prepotência, a verdadeira soberba. É estando errado, chamar a verdade de mentira, e jamais se arrepender de odiar a verdade.
A estes mentirosos, só cabe lembrá-los de que por mais que queiram disfarçar, as trevas em seu coração são evidentes desde sempre.
Todos que fazem isso, devem arrepender-se. Seu líder pode fechar os olhos, sua família pode fechar os olhos, as ovelhas podem fechar os olhos, mas Deus está vendo tudo.
Desobrigar os cabeças de família do seu dever pactual de liderar a guarda do domingo, afirmando o contrário do que ensina a nossa Confissão, não é um ato de misericórdia. É uma profunda negligência espiritual. Dizer a um pai que ele não carrega essa responsabilidade primária pode parecer um alívio momentâneo para a carne, mas, no fundo, rouba do lar a beleza da ordem divina e flerta perigosamente com o falso testemunho diante do altar. O juramento confessional não pode ser tratado como uma sugestão que descartamos quando o ensino se torna pesado aos ouvidos modernos.
A verdadeira piedade não afrouxa a instrução do Senhor para agradar aos homens; ela clama pela graça para que os homens possam amar e obedecer à instrução do Senhor.
Que Deus nos guarde de sermos homens sem palavra.
Que os nossos votos não sejam lembrados apenas nas cerimônias de ordenação, como mentiras públicas, mas que sejam a bússola inabalável do nosso ensino e da nossa vida.
"Não jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do seu Deus. Eu sou o Senhor." > — Levítico 19:12
Tenho a plena convicção de que muitos juraram sem nunca teremos lido e estudado aquilo que pomposamente disseram subscrever diante de DEUS e da igreja!
E que o Senhor conceda a cada pai de família a força e a convicção para nunca terceirizar a sua mais nobre vocação, de pastor de seus lares, afirmando todos os dias, e de modo especial aos domingos: "Eu e a minha casa serviremos ao Senhor".
Nosso santo Deus, amplia esse conceito, Jesus ensinando que a palavra do cristão deve ser tão honesta que juramentos sejam desnecessários:
"Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é obra do maligno."
Que vocês não sejam lembrados como mentirosos em vossos próprios lares e na vossa própria igreja.
Paz.
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