A LITURGIA DA MENTIRA E O TRIUNFO DA IGNORÂNCIA:
MEU ELOGIO AO "NATAL CRISTÃO"
Ó,
vós, Arquitetos do Calendário Sagrado — um calendário jamais ordenado e jamais
comemorado pelos apóstolos!
Vós,
que ornamentais cruzes com tecidos decorativos e vos tornais as verdadeiras
estrelas em vossos palcos iluminados.
É
com um espírito festivo que me curvo diante da vossa mais espetacular
demonstração de autonomia digna de reverência: a celebração do Natal!
Vós,
que jurastes defender aquela doutrina "chata" e
"restritiva" que ensina que só devemos fazer no culto o que Deus
ordenou expressamente na Sua Palavra, mereceis um troféu pela vossa agilidade
em jogar esse princípio na fossa assim que as luzes de dezembro se acendem.
Louvamos
a vossa audácia em declarar a Deus: "Senhor, Tua Palavra é suficiente,
mas nós tivemos uma ideia melhor que a Tua!".
Vejamos
a glória dessa vossa rebeldia piedosa e sábia em quatro atos sublimes:
1.
O Elogio à Correção do "Esquecimento" Divino
Aplaudimos
a vossa sabedoria superior à dos Apóstolos e à do próprio Cristo!
Vós
percebestes uma "falha" imperdoável nas Escrituras: Deus, em Sua
onisciência, esqueceu-se de instituir uma festa para o aniversário de Seu
Filho. Mas as vezes vocês não fazem bolo, e acho que isso irrita a divindade!
Fico
abismado em notar a altura e a profundidade de vossa sabedoria ao incluir no
culto tantos elementos jamais instituídos por Deus. E vós o fazeis com tanto
amor, pois sois zelosos em suprir aquilo que o Criador, por descuido, esqueceu
de mandar.
E o
que dizer do modo como conduzis as apresentações? É de uma beleza humana
inigualável! Pois, ao final, quem recebe a glória, as flores e os aplausos
eufóricos não é o Deus invisível que observa o culto que ele jamais instituiu,
mas os atores e músicos dessa festa imprescindível.
Quando as
apresentações terminam e as ornamentações natalinas são recolhidas, são eles — os
que no palco brilharam — que receberão os elogios.
Parabéns.
Vós conseguistes. Parabéns por transformardes o Santo dos Santos em um
auditório barato, e a adoração — o fôlego de vida da igreja — em mero aplauso à
vaidade humana.
É
com um aperto no peito que vos 'louvamos' por terdes amputado a língua da
Noiva de Cristo. Vós matastes o canto congregacional. Onde antes se ouvia o
trovão dos redimidos cantando ao seu Redentor, agora reina o silêncio passivo
de uma plateia entretida, interrompido apenas pelos solos dos vossos artistas
gospel.
Vós
ignorastes os Salmos. Rejeitastes o hinário inspirado pelo próprio Espírito
Santo, achando-o 'insuficiente' para o vosso espetáculo de luzes.
Mas...
pensando bem... talvez haja nisso uma severa misericórdia. É um alívio, um
doloroso alívio, que vós não useis os Santos Salmos em vossa profanação.
Que a pureza dos louvores inspirados não seja arrastada para a lama da vossa
liturgia.
Deixai
os Salmos em paz.
Já
basta o que fazeis com os pobres 'textos natalinos'. Vossos líderes, esses
homens tão 'aptos a ensinar' (e inaptos a reconhecer a verdade), já os
violentam o suficiente. Eles sobem ao púlpito para distorcer a Escritura,
mentindo com aquela mistura nauseante de burrice teológica, ignorância
histórica e um refinado mau-caratismo.
Pelo
menos, os Salmos permanecem imaculados, longe de vossas bocas. Amém.
Fico
pensando como Deus é esquecido! Que descuido do Espírito Santo! Ele ordenou a
Ceia, ordenou o Batismo, ordenou o Dia do Senhor... mas "esqueceu" a
festa mais emocionante do ano.
Mas
vós, ó Senhores da Liturgia, viestes para corrigir o erro de Deus! Onde
a Bíblia é silenciosa, vós sois barulhentos. Onde o Princípio
Regulador exige prova bíblica para qualquer elemento de culto, vós apresentais
provas sentimentais: "Ah, mas é tão bonito!", "Ah, mas as
crianças gostam!", "Ah, mas é uma oportunidade evangelística!".
Vós
sois mais sábios que os Apóstolos, que nunca celebrara, essa data. Vós
sois mais espirituais, é claro.
Louvamos
a vossa sabedoria de achar que sabeis honrar a Cristo melhor do que a forma
como Ele Próprio pediu para ser honrado. Vós transformastes o culto a Deus em culto
à vontade humana (Colossenses 2:23). Vocês precisam ser honrados com mais
avidez!
2. O Milagre do sincretismo santo
Ah,
aqui reside a vossa genialidade ecológica! Vós sois os reis da reciclagem
espiritual!
Deus,
aquele Deus "rígido" do Antigo Testamento, ordenou especificamente
que o Seu povo destruísse todos os monumentos de idolatria e não
perguntasse "como serviram essas nações os seus deuses, para que eu
faça o mesmo?" (Deuteronômio 12:2-4, 30-31) . Ele mandou queimar os
bosques, derrubar os altares e não aproveitar nada da adoração pagã.
Mas
vós! Ah, vós sois mais misericordiosos que Jeú, Josias ou Moisés . Vós olhastes
para a Saturnália romana, para o culto ao Deus Sol (Mithra), para
as árvores sagradas de Odin e para as festas de Yule e dissestes:
"Vamos batizar isso!".
Bendito sejam, todos que
colocam guirlandas e ornamentos temáticos no culto. O Senhor certamente os abençoará
por tal zelo (Romanos 10:2-4).
Que
alquimia! Vós pegastes a data do nascimento do deus Sol (25 de Dezembro), as
árvores decoradas da idolatria germânica , as velas e fogueiras do solstício de
inverno, as guirlandas que afastam maus espíritos, e as trouxestes para dentro
do Santo dos Santos cristão!
Vocês
são muito geniais! Me faltam palavras para elogiar-vos!
Elogio
a vossa coragem de oferecer a Deus um culto que é um monumento à idolatria
passada, e elogio ainda mais vossa habilidade de chamar tudo isso de benção.
Vós
sois como uma esposa prostituta que guarda as fotos e os presentes dos
ex-amantes na penteadeira para "honrar" o marido atual. Que marido
não ficaria lisonjeado em receber uma festa preparada com os utensílios do seu
inimigo? Em sua festa que ele jamais ordenou, com seus adereços e sermões
falsos. Certamente o marido está satisfeitíssimo e cheio de alegria!
Certamente
Deus deve estar "emocionado" ao ver Seu Filho sendo celebrado com os
rituais que, por milênios, foram usados por ímpios para adorar demônios. Vossa
capacidade de ignorar a santidade de Deus em nome da "cultura" é
digna de um prêmio de grande amor sincretista e passapanista do século!
3. A Gloriosa Pregação da Mentira (A
"Verdade" que não importa)
O
Cristianismo é a religião da Verdade, e Deus não pode mentir. Mas vós, com uma
destreza de ilusionistas, construístes a Maior Festa Cristã sobre um
alicerce de Mentira Deslavada.
Vós
sabeis — ou deveríeis saber, se estudassem a Bíblia em vez de blogs para pegar
sermão pronto — que Jesus não nasceu em 25 de Dezembro. As Escrituras
dizem que havia pastores no campo (Lucas 2:8), o que seria impossível no
inverno chuvoso e frio da Judeia .
Mas
que importa a verdade factual? Que importa a exegese histórica? A mentira é
muito mais "aconchegante"! Louvamos a vossa habilidade de subir ao
púlpito, abrir a Bíblia (o Livro da Verdade) e pregar, com lágrimas nos olhos,
uma mentira papista.
Onde
estão as hóstias que vocês não estão distribuindo piedosamente? E por qual
motivo não enfeitam suas festas com varias imagens de jesus em vitrais, e nas
projeções? Acho que estão falhando nisto.
Vós
ensinais ao povo que mentir sobre o nascimento de Cristo é aceitável, lindo e
emocionante.
Que
a verdade se exploda!
E
depois, quando o mundo incrédulo descobre que o Natal é uma fraude histórica,
uma cópia pagã, e uma profanação ao culto verdadeiro em seu dia santo, o
domingo, vós vos perguntais por que eles não acreditam quando falais da
Ressurreição. Vós colocastes uma pedra de tropeço diante dos homens, mas o
fizestes com luzes pisca-pisca, então tudo bem! Misturastes a santa palavra com
tempero retirado da fossa, mas quem liga?
4. O Desprezo pelo Dia do Senhor (A Troca da
pérola pelos porcos)
Devemos, no entanto, fazer
uma pausa para reconhecer a vossa superioridade moral sobre o Filho Pródigo
da parábola.
Aquele jovem, em sua
fraqueza, olhou para as alfarrobas que os porcos comiam e teve uma crise de
consciência. Ele reconheceu que o chiqueiro não era o seu lugar. Ele sentiu o
estômago roncar de saudade do pão da casa do Pai e, num ato de "derrota",
arrependeu-se e voltou.
Mas vós! Ah, vós sois de
uma estirpe muito mais "resiliente"!
Vós olhais para a comida
dos porcos — as festas pagãs, o teatro mundano, as inovações humanas — e não
sentis saudade alguma do Pai. Pelo contrário! Vós decorais o chiqueiro com
luzes pisca-pisca, temperais as alfarrobas com uma pitada de "graça comum"
e chamais a lavagem de banquete gospel!
Onde o pródigo teve a
decência de sentir fome da verdade, vós tendes a "sofisticação" de
vos empanturrardes com a mentira.
Por fim, exaltamos o vosso
desprezo pelo que é Santo em favor do que é humano.
Deus, em Sua graça, deu à
Igreja um dia santo, autorizado e ordenado: o Dia do Senhor (o Domingo),
o dia da Ressurreição, o verdadeiro Banquete que celebra toda a obra redentora.
Mas 52 dias santos por ano
ordenados por Deus são "chatos" para vós. O Pão da Casa do Pai é
muito sem graça. É na festa inventada que vocês dão o seu melhor!
Vós precisais de novidade.
Vós precisais do "espírito de Natal". Vós gastais semanas ou meses
ensaiando cantatas, decorando o templo, montando peças de teatro (que Deus
nunca pediu) e gastando o dinheiro da oferta em ornamentos pagãos.
E o resultado? O povo ama o
Natal e tolera o Domingo.
O povo lota a igreja para
ver a árvore e o teatro — as alfarrobas bem decoradas —, mas boceja na pregação
da Palavra no Dia do Senhor. Vós ensinastes o rebanho a amar a invenção humana
mais do que a instituição divina.
Os ímpios que aplaudem
vosso natal, não irão para o dia do Senhor de vossas igrejas.
Vós sois pródigos que nunca
voltam, pois transformaram o chiqueiro em santuário.
Portanto,
saudamos a vós, Pastores do Calendário Humano! Continuai a celebrar
vossa festa não-autorizada! Continuai a ignorar a suficiência das Escrituras!
Continuai a mentir sobre a data e a reciclar os ídolos de Roma e da Babilônia!
Vós
provais que o Magnus Asinus é necessário. Prefiram zurrar "Noite
Feliz" em torno de um pinheiro de Odin do que obedecer silenciosa e
reverentemente ao Deus que disse: "Nada acrescentes às suas
palavras".
Vossa piedade é uma mentira enfeitada, uma loucura humana que precisa ser elogiada, e vosso culto é um monumento à vossa própria vontade burra. Parabéns! O mundo ama o vosso Natal, e isso é a prova cabal de que ele não pertence ao Senhor.

