segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

MEU ELOGIO AO "NATAL CRISTÃO" do livro: MAGNUS ASINUS #MAGNUSASINUS

 


A LITURGIA DA MENTIRA E O TRIUNFO DA IGNORÂNCIA: MEU ELOGIO AO "NATAL CRISTÃO"

Ó, vós, Arquitetos do Calendário Sagrado — um calendário jamais ordenado e jamais comemorado pelos apóstolos!

Vós, que ornamentais cruzes com tecidos decorativos e vos tornais as verdadeiras estrelas em vossos palcos iluminados.

É com um espírito festivo que me curvo diante da vossa mais espetacular demonstração de autonomia digna de reverência: a celebração do Natal!

Vós, que jurastes defender aquela doutrina "chata" e "restritiva" que ensina que só devemos fazer no culto o que Deus ordenou expressamente na Sua Palavra, mereceis um troféu pela vossa agilidade em jogar esse princípio na fossa assim que as luzes de dezembro se acendem.

Louvamos a vossa audácia em declarar a Deus: "Senhor, Tua Palavra é suficiente, mas nós tivemos uma ideia melhor que a Tua!".

Vejamos a glória dessa vossa rebeldia piedosa e sábia em quatro atos sublimes:

1. O Elogio à Correção do "Esquecimento" Divino

Aplaudimos a vossa sabedoria superior à dos Apóstolos e à do próprio Cristo!

Vós percebestes uma "falha" imperdoável nas Escrituras: Deus, em Sua onisciência, esqueceu-se de instituir uma festa para o aniversário de Seu Filho. Mas as vezes vocês não fazem bolo, e acho que isso irrita a divindade!

Fico abismado em notar a altura e a profundidade de vossa sabedoria ao incluir no culto tantos elementos jamais instituídos por Deus. E vós o fazeis com tanto amor, pois sois zelosos em suprir aquilo que o Criador, por descuido, esqueceu de mandar.

E o que dizer do modo como conduzis as apresentações? É de uma beleza humana inigualável! Pois, ao final, quem recebe a glória, as flores e os aplausos eufóricos não é o Deus invisível que observa o culto que ele jamais instituiu, mas os atores e músicos dessa festa imprescindível.

Quando as apresentações terminam e as ornamentações natalinas são recolhidas, são eles — os que no palco brilharam — que receberão os elogios.

Parabéns. Vós conseguistes. Parabéns por transformardes o Santo dos Santos em um auditório barato, e a adoração — o fôlego de vida da igreja — em mero aplauso à vaidade humana.

É com um aperto no peito que vos 'louvamos' por terdes amputado a língua da Noiva de Cristo. Vós matastes o canto congregacional. Onde antes se ouvia o trovão dos redimidos cantando ao seu Redentor, agora reina o silêncio passivo de uma plateia entretida, interrompido apenas pelos solos dos vossos artistas gospel.

Vós ignorastes os Salmos. Rejeitastes o hinário inspirado pelo próprio Espírito Santo, achando-o 'insuficiente' para o vosso espetáculo de luzes.

Mas... pensando bem... talvez haja nisso uma severa misericórdia. É um alívio, um doloroso alívio, que vós não useis os Santos Salmos em vossa profanação. Que a pureza dos louvores inspirados não seja arrastada para a lama da vossa liturgia.

Deixai os Salmos em paz.

Já basta o que fazeis com os pobres 'textos natalinos'. Vossos líderes, esses homens tão 'aptos a ensinar' (e inaptos a reconhecer a verdade), já os violentam o suficiente. Eles sobem ao púlpito para distorcer a Escritura, mentindo com aquela mistura nauseante de burrice teológica, ignorância histórica e um refinado mau-caratismo.

Pelo menos, os Salmos permanecem imaculados, longe de vossas bocas. Amém.

Fico pensando como Deus é esquecido! Que descuido do Espírito Santo! Ele ordenou a Ceia, ordenou o Batismo, ordenou o Dia do Senhor... mas "esqueceu" a festa mais emocionante do ano.

Mas vós, ó Senhores da Liturgia, viestes para corrigir o erro de Deus! Onde a Bíblia é silenciosa, vós sois barulhentos. Onde o Princípio Regulador exige prova bíblica para qualquer elemento de culto, vós apresentais provas sentimentais: "Ah, mas é tão bonito!", "Ah, mas as crianças gostam!", "Ah, mas é uma oportunidade evangelística!".

Vós sois mais sábios que os Apóstolos, que nunca celebrara, essa data. Vós sois mais espirituais, é claro.

Louvamos a vossa sabedoria de achar que sabeis honrar a Cristo melhor do que a forma como Ele Próprio pediu para ser honrado. Vós transformastes o culto a Deus em culto à vontade humana (Colossenses 2:23). Vocês precisam ser honrados com mais avidez!

2. O Milagre do sincretismo santo

Ah, aqui reside a vossa genialidade ecológica! Vós sois os reis da reciclagem espiritual!

Deus, aquele Deus "rígido" do Antigo Testamento, ordenou especificamente que o Seu povo destruísse todos os monumentos de idolatria e não perguntasse "como serviram essas nações os seus deuses, para que eu faça o mesmo?" (Deuteronômio 12:2-4, 30-31) . Ele mandou queimar os bosques, derrubar os altares e não aproveitar nada da adoração pagã.

Mas vós! Ah, vós sois mais misericordiosos que Jeú, Josias ou Moisés . Vós olhastes para a Saturnália romana, para o culto ao Deus Sol (Mithra), para as árvores sagradas de Odin e para as festas de Yule e dissestes: "Vamos batizar isso!".

Bendito sejam, todos que colocam guirlandas e ornamentos temáticos no culto. O Senhor certamente os abençoará por tal zelo (Romanos 10:2-4).

Que alquimia! Vós pegastes a data do nascimento do deus Sol (25 de Dezembro), as árvores decoradas da idolatria germânica , as velas e fogueiras do solstício de inverno, as guirlandas que afastam maus espíritos, e as trouxestes para dentro do Santo dos Santos cristão!

Vocês são muito geniais! Me faltam palavras para elogiar-vos!

Elogio a vossa coragem de oferecer a Deus um culto que é um monumento à idolatria passada, e elogio ainda mais vossa habilidade de chamar tudo isso de benção.

Vós sois como uma esposa prostituta que guarda as fotos e os presentes dos ex-amantes na penteadeira para "honrar" o marido atual. Que marido não ficaria lisonjeado em receber uma festa preparada com os utensílios do seu inimigo? Em sua festa que ele jamais ordenou, com seus adereços e sermões falsos. Certamente o marido está satisfeitíssimo e cheio de alegria!

Certamente Deus deve estar "emocionado" ao ver Seu Filho sendo celebrado com os rituais que, por milênios, foram usados por ímpios para adorar demônios. Vossa capacidade de ignorar a santidade de Deus em nome da "cultura" é digna de um prêmio de grande amor sincretista e passapanista do século!

3. A Gloriosa Pregação da Mentira (A "Verdade" que não importa)

O Cristianismo é a religião da Verdade, e Deus não pode mentir. Mas vós, com uma destreza de ilusionistas, construístes a Maior Festa Cristã sobre um alicerce de Mentira Deslavada.

Vós sabeis — ou deveríeis saber, se estudassem a Bíblia em vez de blogs para pegar sermão pronto — que Jesus não nasceu em 25 de Dezembro. As Escrituras dizem que havia pastores no campo (Lucas 2:8), o que seria impossível no inverno chuvoso e frio da Judeia .

Mas que importa a verdade factual? Que importa a exegese histórica? A mentira é muito mais "aconchegante"! Louvamos a vossa habilidade de subir ao púlpito, abrir a Bíblia (o Livro da Verdade) e pregar, com lágrimas nos olhos, uma mentira papista.

Onde estão as hóstias que vocês não estão distribuindo piedosamente? E por qual motivo não enfeitam suas festas com varias imagens de jesus em vitrais, e nas projeções? Acho que estão falhando nisto.

Vós ensinais ao povo que mentir sobre o nascimento de Cristo é aceitável, lindo e emocionante.

Que a verdade se exploda!

E depois, quando o mundo incrédulo descobre que o Natal é uma fraude histórica, uma cópia pagã, e uma profanação ao culto verdadeiro em seu dia santo, o domingo, vós vos perguntais por que eles não acreditam quando falais da Ressurreição. Vós colocastes uma pedra de tropeço diante dos homens, mas o fizestes com luzes pisca-pisca, então tudo bem! Misturastes a santa palavra com tempero retirado da fossa, mas quem liga?

4. O Desprezo pelo Dia do Senhor (A Troca da pérola pelos porcos)

Devemos, no entanto, fazer uma pausa para reconhecer a vossa superioridade moral sobre o Filho Pródigo da parábola.

Aquele jovem, em sua fraqueza, olhou para as alfarrobas que os porcos comiam e teve uma crise de consciência. Ele reconheceu que o chiqueiro não era o seu lugar. Ele sentiu o estômago roncar de saudade do pão da casa do Pai e, num ato de "derrota", arrependeu-se e voltou.

Mas vós! Ah, vós sois de uma estirpe muito mais "resiliente"!

Vós olhais para a comida dos porcos — as festas pagãs, o teatro mundano, as inovações humanas — e não sentis saudade alguma do Pai. Pelo contrário! Vós decorais o chiqueiro com luzes pisca-pisca, temperais as alfarrobas com uma pitada de "graça comum" e chamais a lavagem de banquete gospel!

Onde o pródigo teve a decência de sentir fome da verdade, vós tendes a "sofisticação" de vos empanturrardes com a mentira.

Por fim, exaltamos o vosso desprezo pelo que é Santo em favor do que é humano.

Deus, em Sua graça, deu à Igreja um dia santo, autorizado e ordenado: o Dia do Senhor (o Domingo), o dia da Ressurreição, o verdadeiro Banquete que celebra toda a obra redentora.

Mas 52 dias santos por ano ordenados por Deus são "chatos" para vós. O Pão da Casa do Pai é muito sem graça. É na festa inventada que vocês dão o seu melhor!

 

Vós precisais de novidade. Vós precisais do "espírito de Natal". Vós gastais semanas ou meses ensaiando cantatas, decorando o templo, montando peças de teatro (que Deus nunca pediu) e gastando o dinheiro da oferta em ornamentos pagãos.

 

E o resultado? O povo ama o Natal e tolera o Domingo.

 

O povo lota a igreja para ver a árvore e o teatro — as alfarrobas bem decoradas —, mas boceja na pregação da Palavra no Dia do Senhor. Vós ensinastes o rebanho a amar a invenção humana mais do que a instituição divina.

 

Os ímpios que aplaudem vosso natal, não irão para o dia do Senhor de vossas igrejas.

Vós sois pródigos que nunca voltam, pois transformaram o chiqueiro em santuário.

Portanto, saudamos a vós, Pastores do Calendário Humano! Continuai a celebrar vossa festa não-autorizada! Continuai a ignorar a suficiência das Escrituras! Continuai a mentir sobre a data e a reciclar os ídolos de Roma e da Babilônia!

Vós provais que o Magnus Asinus é necessário. Prefiram zurrar "Noite Feliz" em torno de um pinheiro de Odin do que obedecer silenciosa e reverentemente ao Deus que disse: "Nada acrescentes às suas palavras".

Vossa piedade é uma mentira enfeitada, uma loucura humana que precisa ser elogiada, e vosso culto é um monumento à vossa própria vontade burra. Parabéns! O mundo ama o vosso Natal, e isso é a prova cabal de que ele não pertence ao Senhor.

sábado, 29 de março de 2025

Comentário sobre o terceiro mandamento à luz da nova aliança

 PERGUNTAS 55 E 56 DO BREVE CATECISMO DE WESTMINSTER

 

Pergunta 55: O que proíbe o terceiro mandamento?

Resposta:
O terceiro mandamento proíbe toda profanação ou abuso das coisas por meio das quais Deus se faz conhecer.


Base bíblica:

  • Malaquias 1:6-7
    “Um filho honra a seu pai, e um servo ao seu senhor. Se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o respeito para comigo? — diz o Senhor dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome. E dizeis: Em que temos nós desprezado o teu nome? Ofereceis sobre o meu altar pão imundo e dizeis: Em que te havemos profanado? Nisto, que pensais: A mesa do Senhor é desprezível.”

  • Malaquias 3:14
    “Vós dizeis: Inútil é servir a Deus; que nos aproveitou termos cuidado em guardar os seus preceitos ou em andar de luto diante do Senhor dos Exércitos?”


Comentário:

Sob a Nova Aliança, a honra devida ao nome de Deus continua sendo central, pois “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (João 4:24). A profanação do nome de Deus não se limita mais ao altar do templo, mas se estende à vida da Igreja, ao uso da Palavra, aos sacramentos e à profissão de fé dos redimidos.

Thomas Boston, ao comentar o terceiro mandamento, afirmou que “tomar o nome de Deus em vão é mais que palavras vazias; é invocar a majestade do Altíssimo com lábios de mentira, enquanto o coração dança ao som do mundo”. Wilhelmus à Brakel ensinava que “a verdadeira reverência pelo nome de Deus brota de um coração regenerado, não apenas de uma liturgia correta”.

A Confissão de Fé de Westminster (XXI.1-2) nos lembra que, mesmo sob a Nova Aliança, Deus continua zeloso por sua glória: “Mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Ele mesmo, e está limitado à Sua própria vontade revelada”. Assim, qualquer uso indevido do nome de Deus, mesmo em contextos ditos cristãos, permanece pecado solene.

Aplicação:

A maldição pela profanação do nome de Deus recai sobre todo homem natural, pois todos pecaram (Romanos 3:23). Mas, em Cristo, temos o nome de Deus revelado com graça e verdade (João 1:14). A maldição da lei – inclusive aquela relacionada à irreverência – foi tomada por Cristo em nosso lugar: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (Gálatas 3:13).

Contudo, essa redenção não torna o mandamento irrelevante; antes, intensifica nossa responsabilidade. Como exorta John Flavel: “A graça que nos libertou da condenação da lei nos prende em amor e temor a obedecê-la com mais zelo e humildade.”


Pergunta 56: Qual é a premissa anexa ao terceiro mandamento?

Resposta:
A premissa anexa ao terceiro mandamento é que, embora os transgressores deste mandamento escapem do castigo dos homens, o Senhor nosso Deus não os poupará do seu justo juízo.


Base bíblica:

  • Deuteronômio 28:58-59
    “Se não tiveres cuidado de guardar todas as palavras desta lei, que estão escritas neste livro, para temeres este nome glorioso e terrível, o Senhor, teu Deus, então o Senhor fará espantosas as tuas pragas e as pragas da tua descendência, grandes e duradouras pragas, e enfermidades malignas e duradouras.”


Comentário:

A advertência permanece válida quanto ao caráter imutável de Deus. A ira santa de Deus contra o pecado é real. No entanto, sob a Nova Aliança, é preciso distinguir entre os que estão em Adão e os que estão em Cristo.

Aqueles fora de Cristo permanecem sob o juízo da maldição, pois “quem não crê já está condenado” (João 3:18). Mas os que estão em Cristo já não estão debaixo da ira, pois “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1).

Wilhelmus à Brakel, ao comentar os juízos de Deus na Antiga Aliança, observou: “As ameaças da lei devem levar o crente à gratidão, e o ímpio ao temor; e ambas as reações são instrumentos de Deus para chamar o pecador ao arrependimento.”

John Owen escreveu: “A severidade da Lei, embora satisfeita em Cristo, permanece um espelho da santidade de Deus e da hediondez do pecado. O crente não teme a condenação, mas teme desonrar o nome de seu Redentor.”

Aplicação à Igreja hoje:

  1. Aos incrédulos, as maldições de Deuteronômio continuam vigentes como prefiguração do juízo eterno. Não há impunidade diante do Deus três vezes santo.

  2. Aos crentes, essas advertências são chamadas à vigilância e reverência: “Ora, se invocais como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação” (1 Pedro 1:17).

  3. O Catecismo Maior (Pergunta 113) adverte que o terceiro mandamento implica em cultivar “cuidado santo na execução de todos os deveres religiosos e uso dos meios de graça”.

Conclusão:

Tomar o nome de Deus em vão, mesmo em meio ao culto mais ortodoxo, é violação grave. A Nova Aliança não rebaixa o padrão, mas o eleva. O sangue de Cristo é suficiente para purificar até o pecador mais profano, mas também nos compele à adoração mais reverente.

Thomas Watson conclui com propriedade:

“Há dois livros diante do crente: a Escritura e sua própria consciência. O nome de Deus está em ambos. Quem teme a Deus não ousará apagá-lo nem em um, nem em outro.”

segunda-feira, 24 de março de 2025

A Irmã GÊMEA da Falsa Piedade: A Falsa Humildade e o rancor Camuflado de likes de amor falsos

 

“Por que vês o argueiro no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio?”
— Mateus 7:3


Introdução: Quando a correção é só uma máscara para o rancor

Nem toda correção é fruto de amor. Nem toda humildade é real. Vivemos em uma era onde a falsa piedade tem uma irmã silenciosa, mas igualmente letal: a falsa humildade.

Ela aparece em discursos melosos, em “conselhos” aparentemente generosos, em críticas ditas “com carinho”. Mas por trás da voz mansa, há dentes afiados. Por trás da mansidão, há inveja espiritual, desejo de poder, ou simplesmente rancor disfarçado de santidade.

Este capítulo é um alerta. Vamos desmascarar biblicamente essa dinâmica, revelando sua estrutura psicológica, suas raízes espirituais e seu antídoto reformado: a verdade em amor, e o autoexame sincero diante de Deus.


1. A Estrutura Bíblica da Hipocrisia Oculta

a) O Duplo Padrão do Coração Hipócrita

O hipócrita se posiciona externamente como alguém humilde e altruísta, mas internamente age com raiva não admitida, inveja, competição ou desprezo velado.

Jesus denunciou isso claramente:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois sois semelhantes aos sepulcros caiados...”
(Mateus 23:27)

O túmulo é bonito por fora — branco, limpo, decorado. Mas por dentro, está cheio de ossos, podridão e morte. Assim é o homem que corrige para ferir, critica para se elevar e usa “humildade” como escudo para sua sede de justiça própria.

b) Projeção: Quando o arrogante chama o outro de arrogante

É comum que a pessoa mais amarga chame o outro de amargo. A mais soberba, chame o outro de soberbo. Isso se chama projeção: ao invés de lidar com sua sombra, o hipócrita a projeta sobre o próximo.

“Eu só estou te falando por amor!” — mas o tom é de desdém.
“Quem sou eu para julgar…” — mas logo em seguida despeja condenações implícitas.

A falsa humildade usa a linguagem da virtude para praticar a agressão emocional.


2. Mecanismos Psicológicos e Espirituais do Autoengano

A falsa humildade é construída sobre três pilares doentios:

a) Autoengano

A pessoa acredita que está sendo “instrumento de Deus”, quando, na verdade, está apenas agindo por impulso não santificado, por rancor reprimido, por necessidade de afirmar sua superioridade.

b) Sinalização de virtude

Frases como “eu falo com amor”, “me dói te dizer isso”, “eu sou só um servo” são usadas para ganhar autoridade moral. Mas na prática, são escudos para a autojustificação. A pessoa quer parecer espiritual, mas na verdade está ferindo com luvas de veludo.

c) Inveja espiritual

Nos ambientes religiosos, esse mal se alastra silenciosamente. Alguém se incomoda com o dom, o conhecimento, a ousadia ou a clareza do outro. Mas, por não admitir isso, se disfarça de "zeloso" e "corrige" com palavras doces... e coração amargo.


3. Como Identificar a Falsa Humildade

Há sinais claros de que estamos diante de hipocrisia disfarçada de humildade:

  • A crítica vem com emoção elevada, não com equilíbrio bíblico.
  • Há prazer sutil em mostrar o erro do outro — é uma exibição moral.
  • O rigor exigido do outro não é aplicado à própria vida.
  • Nunca há confissão de falhas pessoais. Só alertas e julgamentos “santos”.
  • A pessoa não se submete à exortação, apenas a pratica.

A Verdadeira Correção Bíblica

Hipócrita

Correção Genuína

Foca no erro do outro

Começa pela autocrítica

Tom acusatório e sarcástico

Tom compassivo e firme

Esconde rancor ou competição

Assume vulnerabilidade

Quer ter razão ou estar por cima

Quer ajudar de fato

Usa a Bíblia para bater

Usa a Bíblia para curar


4. A Raiz: A Incapacidade de Encarar a Própria Trave

“Como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?”
(Mateus 7:4)

Jesus expõe a dinâmica com precisão cirúrgica. O hipócrita vê com clareza o cisco alheio, mas é cego para sua própria trave. Por quê?

Porque é mais fácil criticar do que se quebrantar. Mais fácil atacar a “arrogância do outro” do que reconhecer o próprio desejo de parecer justo.


5. Teologia Reformada e o Antídoto Bíblico

A Teologia Reformada nos lembra que todo coração humano é corrupto (Jeremias 17:9), e que até nossos atos religiosos podem estar contaminados pelo orgulho (Isaías 64:6).

Calvino disse:

“O coração do homem é uma fábrica de ídolos.”

E isso inclui o ídolo da falsa humildade, que deseja reconhecimento, status moral e aparência de santidade — mesmo à custa do irmão.

O antídoto é o Evangelho:

  • Reconhecer que só pela graça somos aceitos.
  • Confessar nossos próprios pecados antes de corrigir.
  • Servir ao próximo sem buscar glória pessoal.

Conclusão: Antes de corrigir, examine-se

Antes de abrir a boca para “corrigir”, ore como Davi:

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos.”
(Salmo 139:23)

Se houver rancor, inveja, competição ou justiça própria, cale-se, arrependa-se e ore por cura. Só depois disso, talvez, você seja um instrumento útil nas mãos do Senhor.

Porque corrigir sem amor é ferir. Corrigir com falsa humildade é hipocrisia. E fazer tudo isso em nome de Deus é blasfêmia espiritual.

 

Atividades sugeridas: A Falsa Humildade e a Hipocrisia Camuflada

🎯 Objetivo: Desmascarar os mecanismos da falsa humildade e promover a verdadeira correção fraterna.


1. Leitura e Reflexão Bíblica

  • Passagens sugeridas:
    • Mateus 7:1–5
    • Mateus 23:27–28
    • Provérbios 27:6
    • Salmo 139:23–24
    • Romanos 12:3

Perguntas para discussão:

  • Como saber se a correção que oferecemos é realmente movida por amor?
  • Que sinais indicam falsa humildade em nós mesmos?
  • Qual a diferença entre projeção e discernimento bíblico?

2. Dinâmica: “Trave e Cisco”

Distribua cartões com situações cotidianas (ex: “Corrigir alguém que errou doutrinariamente”, “Confrontar alguém orgulhoso”, “Receber crítica de alguém que me fere”).

Peça aos participantes:

  • Primeiro, escrever como normalmente reagiriam.
  • Depois, escrever como reagiriam se examinassem a própria “trave” antes.

Compartilhem os aprendizados.


3. Análise de Frases Disfarçadas

Apresente frases como:

  • “Falo por amor, mas você precisa parar de ser arrogante.”
  • “Quem sou eu para julgar… mas você está totalmente errado.”
  • “Eu oro muito e percebi que Deus me revelou seu erro.”

Debata:

  • Essas frases revelam humildade verdadeira ou falsa?
  • Como seriam reformuladas sob a luz de Efésios 4:2–3?

4. Oração de Quebrantamento

Convide todos a orar em silêncio por:

  • Rancores ocultos.
  • Desejos de superioridade espiritual.
  • Necessidade de impressionar sob o disfarce da correção.

Em seguida, conduza uma oração coletiva com o Salmo 139:23–24.

 

Atividade de Encerramento Integrada

Desafio em Duplas: “Corrigindo com Verdade e Amor”

  • Em duplas, cada um deve escolher uma situação real (ou criar uma fictícia) onde precisaria corrigir alguém.
  • Cada um deve ensaiar como faria essa correção, considerando:
    • Autocrítica inicial.
    • Tom bíblico e compassivo.
    • Clareza doutrinária.
  • O colega avaliará se a correção soa amorosa e fiel à verdade.

Depois, compartilhem com o grupo os maiores aprendizados.